Comecemos por: o meu burnout
Atualizado: 21 de jul. de 2021
Estava a pensar como dar início a este blog, com que tema começar, e lembrei-me que acabei de passar por uma certa fase que nunca tinha passado: a do burnout.

Em dezembro passado concluí o meu mestrado e por muito que tenha adorado trabalhar no tema, o percurso não foi fácil (mas há algum que seja?). Para além de ‘n situações pessoais que iam acontecendo ao longo do ano, quase numa de “quando pensas que não pode ficar pior, pode”, o processo de trabalho foi de arrancar cabelos. Não querendo estar a descrever toda essa desgraça de ano (que parecia ter tudo para ser um bom ano, mas nop... *sim, porque digamos que para quem tem ansiedade social, a ideia de confinamento não foi tão má quanto isso*), vou resumir com um: qual o resultado de quando ficas três meses (para não dizer mais) sem descansar um único dia? Resposta: cérebro queimadinho.
O "burn" na palavra não é mesmo ao acaso.
Yap, “queimado” é mesmo a palavra certa. Não só a cabeça como também sentir-se o corpo a começar a ter problemas, mais não seja por se passar todos os santos dias e horas a trabalhar ao computador. Durante o processo as defesas vão ficando em baixo, e quando já tens mil e uma coisas para te preocupares, heis que surge uma outra coisa qualquer estranha no teu corpo que te põe a panicar mais um pouquinho. “Já chega, não?”, era o que mais me perguntava, intrigada, fula, esgotada.
E pausas?
Andamos nós a “brincar” com a nossa saúde, mas depois um burnout não é brincadeira. As minhas pausas eram para o almoço e jantar, a horas completamente random, onde tinha a sorte de ter o meu companheiro a tratar do assunto ou talvez nem comesse. Outro tipo de pausas eram sentar-me no sofá uma meia hora ao telemóvel, de volta de um joguito para distrair ou ver um episódio de uma série durante o jantar. De resto, se não estava a produzir trabalho, então era sinal que estava com um bloqueio (seja de um dia, de uma semana ou até de um mês). E se acham que “bloqueio” é sinónimo de estar parado e poder então não fazer nada, vos digo que não. É só a pior parte do processo, sendo que a vontade de trabalhar era enorme e o conseguir fazê-lo era nulo, o que só provoca cada vez mais frustração e ansiedade. Talvez não esteja a relatar isto da forma dramática com que experienciei, mas não foi fácil, foi esgotante, desgastante, destrutivo, sem pausas.

Sem espaço para mais nada...
Faltavam três dias para entregar a dissertação e eu só queria desistir por o quanto ainda faltava e já mal conseguia fazer, ao mesmo tempo que não parava de fazer. Lá consegui entregar, a um mês de vir a ter a presentação pública. O meu pai partiu quatro dias antes da minha apresentação e eu nem pude pensar no assunto. Talvez não tenha sentido o choque da notícia pois o seu estado já estava extremamente debilitado, no entanto, eu sentia como se não conseguisse sentir nada. O meu foco era só “trabalhar, trabalhar, trabalhar, concluir, concluir, concluir, entregar, entregar, entregar”, não havia espaço para mais nada; nem sequer para mim.
E há danos após a conclusão.
Por fim, mestrado finalizado e uma lista de tarefas já planeadas para janeiro. Quantas tarefas consegui concluir nesse mês? Zero. Todo o mês de janeiro foi a tentar recuperar - mês esse onde também partiu a minha avó. A cabeça estava completamente queimada. O corpo? Cheguei a estar a lavar a loiça e sentir uma espécie de sufoco por não conseguir aguentar-me em pé. O meu corpo era pesado e o sofá o meu melhor apoio. Um mês de recuperação para um ano de mestrado pode até nem parecer muito, mas para quem queria avançar na vida de vez, era uma eternidade… E acontecia ainda acordar a pensar que tinha que ir continuar o trabalho de mestrado. Aliás, acontecia estar o dia sem fazer nada e só sentia que estava a falhar a entrega. Maldito burnout.
Agora o mais engraçado? Ter apanhado uma publicação sobre burnout - numa página de Facebook de um jornal português - e ler os vários comentários do género “(A nova geração) são uns coitadinhos. Sabem lá o que é trabalhar e ficam logo esgotados”. Diria que “coitadinhos” é daqueles que se acham superiores quando apresentam com orgulho uma grande ignorância e até falta de empatia. Um bornout é um esgotamento e pode levar a depressão, como pode levar a muitas outras coisas e nenhuma delas positiva (a não ser concluir-se a entrega do trabalho).
Extrazito:
Como recomendação, evitem ao máximo ficar meses - ou até um mês ou uma semana - sem um método de descanso. Acreditem, o estado em que se fica - durante e após - não é nada bom. Nada mesmo.
Aproveito também para deixar aqui alguns links onde podem ler mais sobre o assunto:
E é tudo por hoje.
Bom resto de dia para os alguéns desse lado.




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