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O que é uma "mãe"?

19 de fev. de 2021
4 min de leitura

Atualizado: 17 de jul. de 2021

Quem ainda não ouviu esse "mãe é mãe" durante a vida?

Então o que é afinal uma "mãe", já que concluir que "é mãe" não sai da redundância?



Se procurarmos ou pensarmos no significado da palavra "mãe" e sobre o que é suposto ser a figura "mãe", chegamos a conclusões como: "mãe" é uma mulher (animal fêmea) que dá à luz, que gere ou adota uma criança, que cria e educa a criança ou adolescente desenvolvendo laços maternais, que proporciona amor, carinho, proteção, e que figurativamente pode ser vista como a "origem, causa, fonte", mas que principalmente, "mãe é mãe".


"Mãe é mãe"

E assim continuamos nesta redundância que eleva uma "mãe" a uma deusa, porque a única coisa que precisamos de reter na cabeça é essa definição, e nada mais há a acrescentar. Entretanto lá complementam, para calar as filhas, "quando fores mãe, hás-de entender" - até lá, aceita que "mãe é mãe" e que é a única pessoa que melhor te entende, que te protege e que te dará amor incondicional. E claro, que te aguentou 9 meses na barriga... *filh@ em divida para a vida*


Mas então basta gerar ou adotar um ser para se adquirir o certificado de "mãe"?

A resposta é: nesta teoria sim, na prática não. E porquê? Realmente a definição do segundo parágrafo é a real definição desta palavra maternal. Mas será essa a definição que todas as "mães" aplicam nelas/nos seus filhos e filhas? Não, pois há também todo um leque de "mães" que não são mais do que simples "progenitoras" (ou que adotam), pois não preenchem os requisitos para serem tratadas com tal palavra significativa, maternal. E quem são essas "mães" em "segundo grau"? "E como pode alguém, um/a filh@, estar a tentar implicar tal ideia maldosa numa mãe que tanto o/a ama?", questiona intrigada a Alcindinha, que já nos repetiu não sei quantas vezes que depois da nossa "mãe (em segundo grau)" partir, é que lhe vamos dar valor. Pois bem...



"Mãe" que não é "mãe"

Dona Alcinda, sente-se, respire.

Claro que há mães incríveis, carinhosas, que amam genuinamente e que cuidam e respeitam @s filh@s como ninguém. E claramente que não é nessas incríveis mães em que este texto se foca. Este texto foca-se nas "mães" tóxicas, abusivas, violentas, egocêntricas, negligentes, entre outros sinónimos que podemos dar a certas mulheres que criam filh@s. A certas mulheres a quem esses/as filh@s chamam de "mãe", apesar de não receberem carinho, respeito e amor por parte delas. Sim, essas "mães" existem, por muito que custe a certas Alcindas aceitar essa realidade. "Mãe é mãe", mas estas mulheres não o são, não o sabem ser ou não querem ser.


E @s filh@s...

E por incrível que pareça, estas "mães" não são raras e muitas delas estão escondidas no sofrimento d@s filh@s, que são pessoas que passam por nós na rua, e que escondem ou que mostram (inconscientemente) os danos que estas mulheres lhes causaram durante o desenvolvimento. Aquela pessoa, mãe, que @s devia guiar para serem melhores, felizes, independentes, afinal pode ser a que tornou ess@s filh@s num poço de sofrimento, dificuldades, dependência, ansiedade, depressão, suicídio...


Essas "mães" são invisíveis. E @s filh@s sofrem não só com elas, mas também com a visão da sociedade, que endeusa os seres considerados "mãe", rebaixando @ filh@ ao papel de ingrat@, que a abandonou se (por sua própria segurança) precisar de cortar ligações com essa pessoa que @ violentou toda a vida.


"És filh@, respeita a tua mãe! Ela deu-te à luz, cuidou de ti, sustentou-te! Sê grat@! Cuida dela também".


Mãe vs "Mãe"

Ninguém pediu para nascer. Cuidar de um filho (menor) é um dever básico das mães e dos pais, dos cuidadores, não é uma dívida. Tal como também seria dever dos pais darem o melhor que puderem a nível emocional, de apoio, e não só de sustento. Quem o deu, merece o mundo e a retribuição desse amor, respeito e muito mais até ao fim dos seus dias. Quem não o deu, quem usou e abusou d@s filh@s como um ser inferior, um pertence, um ser só com deveres, sem direitos, merece o resultado do que deu também: a ausência d@ filh@.


Portanto...

A ausência não é vingança. É amor próprio e respeito pela nossa saúde mental e/ou física.

Estas "mães em segundo grau" existem. Se as têm, fujam, peçam ajuda!

@s filh@s também são pessoas e não se devem sentir inferiores, "nulos", por serem filh@s.

"Mãe é mãe", mas nem todas o são.



Apontamento

Este texto é uma introdução a um dos temas que pretendo abordar neste blog: mães narcisistas (e os danos causados aos filhos). Apesar de haver vários tipos de "mães" abusivas, vou-me focar nas "mães" com perturbação de personalidade narcísica. E apesar de também existirem pais abusivos/narcisistas, vou-me focar nas mães, pois é um ponto que me toca pessoalmente e que posso partilhar por experiência.


Para além disso, ao notar que a ideia de uma mãe que pratica abusos (ocultos/invisíveis) ainda não ser bem digerida por certas pessoas, faz com queira dar maior foco ao assunto, trazendo um pouco dessa visibilidade, principalmente como forma de apoio a vitimas - pois muitas ainda não sabem que o são.


Em caso que sejam vitimas deste tipo de abusos por parte de mães - e pais - narcisistas (ou outro tipo de abusadores), contactem a associação de apoio contra a vitima mais próxima. Acreditem, este tipo de abusos é crime, pois são atos de violência psicológica, emocional ou até física. Não se sintam mal e/ou culpados se precisarem de pedir ajuda contra essa(s) pessoa(s) que abusaram de vocês. Preocupem-se sim em cuidar de vocês.



E é tudo por hoje.

Bom resto de dia para os alguéns desse lado.

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